Planejamento tributário
Simples Nacional ou Lucro Presumido: como escolher o regime tributário
Limites, anexos, Fator R e carga tributária efetiva: os critérios objetivos para decidir entre Simples Nacional e Lucro Presumido sem pagar imposto a mais.
A pergunta mais frequente no escritório é direta: o Simples Nacional é sempre mais barato? Não é. Existem empresas de serviços que pagam menos no Lucro Presumido e há comércios que economizam muito no Simples. A decisão depende de faturamento, atividade, folha de pagamento e margem — nessa ordem.
O que muda entre os dois regimes
| Critério | Simples Nacional | Lucro Presumido |
|---|---|---|
| Limite de receita | Até R$ 4,8 milhões por ano | Até R$ 78 milhões por ano |
| Recolhimento | Guia única (DAS) | Guias separadas por tributo |
| Base de cálculo | Receita bruta e anexo da atividade | Percentual de presunção sobre a receita |
| Peso da folha | Em geral já incluído no DAS | CPP de 20% sobre a folha, à parte |
O papel do Fator R nos serviços
Para diversas atividades de serviço, o Fator R define se a empresa é tributada pelo Anexo III (alíquotas iniciais menores) ou pelo Anexo V (mais pesado). Ele é a razão entre a folha de pagamento dos últimos 12 meses — incluindo pró-labore e encargos — e a receita bruta do mesmo período. Chegando a 28%, a tributação migra para o Anexo III.
Isso significa que ajustar o pró-labore de forma planejada e legítima pode reduzir a carga total. É um cálculo que precisa ser refeito mês a mês, e não uma decisão tomada uma única vez na abertura.
Quando o Lucro Presumido costuma vencer
- Serviços com folha muito pequena e faturamento alto, que ficariam no Anexo V.
- Empresas com margens elevadas e poucos funcionários.
- Negócios com receita acima do limite do Simples Nacional.
- Operações que se beneficiam do crédito de PIS/COFINS na cadeia do cliente.
Quando o Simples Nacional costuma vencer
- Empresas com folha relevante em relação ao faturamento (Fator R favorável).
- Comércio e indústria de pequeno porte com margens apertadas.
- Negócios em início de operação, com receita ainda baixa.
- Quem precisa de simplicidade em obrigações acessórias e caixa previsível.
Como fazer a comparação na prática
- Projete o faturamento dos próximos 12 meses por atividade.
- Levante a folha real, incluindo pró-labore, encargos e FGTS.
- Calcule a alíquota efetiva do Simples com base na receita bruta acumulada.
- Some IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, ISS e CPP no cenário do Lucro Presumido.
- Compare a carga total em reais e revise o cenário a cada trimestre.
A troca de regime, em regra, só vale para o ano-calendário seguinte e tem prazo em janeiro. Por isso a análise precisa ser feita com antecedência, e não em cima do vencimento. Se quiser, a Contabilidade JVN monta esse comparativo com os números reais da sua empresa.
Perguntas frequentes
Continue lendo
Abertura de empresas
Como abrir uma empresa em São Paulo: passo a passo atualizado
Documentos, escolha do CNAE, tipo societário, registros e alvarás: o caminho completo para abrir uma empresa na cidade de São Paulo sem retrabalho.
Rotina fiscal
Obrigações acessórias: o calendário que a sua empresa não pode perder
Quais declarações a sua empresa entrega todo mês e todo ano, os prazos usuais e o custo real de perder cada um deles.