Planejamento tributário

Simples Nacional ou Lucro Presumido: como escolher o regime tributário

Limites, anexos, Fator R e carga tributária efetiva: os critérios objetivos para decidir entre Simples Nacional e Lucro Presumido sem pagar imposto a mais.

Publicado em Atualizado em 9 min de leitura

A pergunta mais frequente no escritório é direta: o Simples Nacional é sempre mais barato? Não é. Existem empresas de serviços que pagam menos no Lucro Presumido e há comércios que economizam muito no Simples. A decisão depende de faturamento, atividade, folha de pagamento e margem — nessa ordem.

O que muda entre os dois regimes

CritérioSimples NacionalLucro Presumido
Limite de receitaAté R$ 4,8 milhões por anoAté R$ 78 milhões por ano
RecolhimentoGuia única (DAS)Guias separadas por tributo
Base de cálculoReceita bruta e anexo da atividadePercentual de presunção sobre a receita
Peso da folhaEm geral já incluído no DASCPP de 20% sobre a folha, à parte
Resumo comparativo entre Simples Nacional e Lucro Presumido.

O papel do Fator R nos serviços

Para diversas atividades de serviço, o Fator R define se a empresa é tributada pelo Anexo III (alíquotas iniciais menores) ou pelo Anexo V (mais pesado). Ele é a razão entre a folha de pagamento dos últimos 12 meses — incluindo pró-labore e encargos — e a receita bruta do mesmo período. Chegando a 28%, a tributação migra para o Anexo III.

Isso significa que ajustar o pró-labore de forma planejada e legítima pode reduzir a carga total. É um cálculo que precisa ser refeito mês a mês, e não uma decisão tomada uma única vez na abertura.

Quando o Lucro Presumido costuma vencer

  • Serviços com folha muito pequena e faturamento alto, que ficariam no Anexo V.
  • Empresas com margens elevadas e poucos funcionários.
  • Negócios com receita acima do limite do Simples Nacional.
  • Operações que se beneficiam do crédito de PIS/COFINS na cadeia do cliente.

Quando o Simples Nacional costuma vencer

  • Empresas com folha relevante em relação ao faturamento (Fator R favorável).
  • Comércio e indústria de pequeno porte com margens apertadas.
  • Negócios em início de operação, com receita ainda baixa.
  • Quem precisa de simplicidade em obrigações acessórias e caixa previsível.

Como fazer a comparação na prática

  1. Projete o faturamento dos próximos 12 meses por atividade.
  2. Levante a folha real, incluindo pró-labore, encargos e FGTS.
  3. Calcule a alíquota efetiva do Simples com base na receita bruta acumulada.
  4. Some IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, ISS e CPP no cenário do Lucro Presumido.
  5. Compare a carga total em reais e revise o cenário a cada trimestre.

A troca de regime, em regra, só vale para o ano-calendário seguinte e tem prazo em janeiro. Por isso a análise precisa ser feita com antecedência, e não em cima do vencimento. Se quiser, a Contabilidade JVN monta esse comparativo com os números reais da sua empresa.

Perguntas frequentes

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